terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Ao encontro da Lousa no concelho de Torre de Moncorvo

Já lá vai algum tempo, isto a 27 de Novembro de 2010, quando fiz um passeio pela aldeia da Lousa. Este passeio, não estava previsto para esse dia, mas depois de estar na Foz do Sabor, resolvi subir até à Lousa e fazer um passeio pela aldeia. "A Lousa dista da sede do concelho (Torre de Moncorvo) 21 Km e fica localizada num planalto de uma cadeia de montanhas, a 800 metros de altitude, a que se deu o nome de Serra da Lousa. Está situada no extremo Sudoeste do concelho, na margem direita do Rio Douro e faz fronteira com o concelho de Carrazeda de AnsiãesO território desta freguesia é vastíssimo, sendo constituído por zonas de encosta, montanhas e vales profundos a que se junta uma pequena parte de planalto. É atravessada por alguns cursos de água que vão desaguar ao Rio Douro. O solo tem características diferentes: na zona da Ribeira predomina o xisto, da Ribeira à povoação predomina o granito. Esta localidade possui áreas de climas diferentes: junto à sede da freguesia neva e faz frio no Inverno, sendo o Verão de intenso calor. No meio das encostas do Rio Douro, raramente neva, é mais ameno no Inverno e mais quente no Verão. Etimologicamente, o nome Lousa significa ardósia, lâmina ou laje de pedra, pois na povoação há muito xisto e formado por várias lâminas, também porque ás placas de xisto aí existentes se dava o nome de piçarras ou lousas, daí vem o nome de Lousa.
O povoamento do seu território remonta à pré-história devido ao aparecimento de alguns machados de pedra e outros vestígios arqueológicos. Por esta povoação passaram Celtas, Bárbaros e Árabes ou Mouros. Desse tempo foram encontradas mós manuais e cerâmica romana. Lousa, até 1853, pertenceu ao concelho de Vilarinho da Castanheira.
Teve um convento que pertenceu aos Trinitários, fundado em 1475, no século XV, por Santo Antão, do qual só restam alguns vestígios. Na igreja existem ainda algumas imagens, em tamanho natural, que pertenceram ao convento.
Quanto a festas e romarias realiza-se no 3º domingo de Agosto, a festa em honra de N. Sra. dos Remédios,  a 30 de Julho  em honra de St.ª Barbara e a 20 de Janeiro em honra de S. Sebastião.
Como património possui a Igreja matriz, capelas de St. Bárbara, de S. Sebastião, de St. António, de N. Sra. do Amparo, do Espírito Santo e de N. Sra. da Consolação, cruzeiros e fontes, Santuário de St. Bárbara, moinhos de vento, forno público, margem direita do rio Douro (zona piscatória e desporto náutico) e turismo rural de habitação. A Lousa tem como actividades económicas: agricultura, vitivinicultura, olivicultura, serralharia, panificação, comércio e construção civil."
Eram, então 9:00 horas da manhã, quando cheguei à Lousa. Logo à entrada, a dar as boas vindas, encontra-se um nicho com a Sagrada Família. Andando mais um pouco, encontramos um lindo Cruzeiro, tendo um escadario desde a estrada até ao local onde se encontra com um gradeamento à volta. Ali existe uma cruz em granito com a imagem de Cristo crucificado, e aos aos pés desta, encontram-se três imagens a adorar a Cristo. Depois segui até ao Largo do Santo, onde estacionei para fazer alguns registos.
Ali comecei então por registar, a capela do Mártir de S. Sebastião (segunda da imagem) e o fontanário em granito, recentemente reconstruído. Um aspecto  interessante, neste fontanário,  pois em vez de um fontanário, são dois: virado para o largo existe um fontanário com uma pia, enquanto do lado de traz virado para a rua debaixo, existe um outro tendo este um tanque, servindo para os animais beberem. Também neste largo é onde se encontram estacionados os autocarros, que transportam alunos e população à sede do concelho e é aqui neste largo que se realiza a feira todos os dias 6 de cada mês. A seguir, entrei no carro, vindo a parar no Largo da Igreja, pois ali encontra-se a Igreja Matriz, toda ela em granito. Na torre possui uma cruz, onde tem presa uma bandeira com o símbolo da freguesia, a torre sustenta dois sinos e por baixo destes encontra-se um relógio, havendo no cimo da torre alguns alto-falantes para se ouvir o som do relógio e do lado de traz tem umas escadas dando acesso à torre. À volta do adro existe um muro com gradeamento, com uns portões em ferro à entrada. Entrei então o portão que dá para dentro do adro, onde existe uma árvore já com algumas centenas de ano. Por sorte minha, pude visitar o seu interior, pois andava uma senhora a limpar e tratar dos arranjos da igreja, para a missa de Domingo.  
No Altar Mor encontra-se uma cruz com a imagem de Cristo crucificado e de cada lado do altar, uma imagem dos fundadores do Convento  da Lousa, imagens estas salvas do convento aquando do incêndio. No seu interior existem ainda mais quatros altares, um com a imagem de N.º Sonhara de Fátima, outro com a imagem do Sagrado Coração de Jesus, outro com a imagem de N.ª Senhora do Rosário e outro com a imagem de S. Lourenço (padroeiro da Lousa - feriado a 10 de Agosto). À entrada Ao fundo das bancadas, de um dos lados encontra-se uma imagem do Senhor dos Passos e doutro lado encontra-se a pia baptismal.

Depois de sair da Igreja, percorri algumas ruas, fotografando algumas casas mais antigas, tendo muitas delas sido reconstruidas. Entretanto encontrei umas senhoras, de uma extrema simpatia, com quem conversei um pouco, estas falaram-me um pouco da vida na aldeia e da reconstrução de algumas casas antigas, como pude constatar ao longo do passeio que fiz pela aldeia.
Ao regressar ao Largo da Igreja, junto ao fontanário estava o Alberto "rolo" a encher um garrafão de água. Ali também se encontravam outras duas senhoras com que também conversei, até que apareceu o senhor Avelino a cavalo no macho, que regressava do campo. Como gosto  e admiro este tipo de animais e vendo uma das senhoras tal admiração e interesse, chamou-me para ver um burrico branco, uma vez que a sua casa era logo em frente. Entramos então na loja onde este se encontrava e para o ver melhor e fotografar, a senhora tirou-o para  a rua aproveitando para o  chegar à água no fontanário. Sem dúvida um lindo animal! Nisto chega um meu amigo e colega de trabalho (Jaime Carvalho), que tem residência ali na Lousa, levando-me de seguida a alguns pontos mais interessantes da aldeia. Depois de passar por algumas ruas da aldeia, a primeira paragem, foi no Santuário de Santa Barbara. Dali avista-se o Rio Douro, mas nesse dia não se conseguia ver, pois  o nevoeiro não o permitia. Ali encontra-se a capela de St.ª Barbara, tendo no seu interior a imagem de St.ª Barbara e a imagem da Senhora dos Altos Céus (padroeira do Convento da Lousa). Ao lado da igreja existe também um enorme marco geodésico. Dali também se vêm as muralhas do antigo convento, tendo-nos deslocado até as ruínas deste de seguida. Mas antes descemos até ao cemitério donde consegui uma panorâmica de parte da aldeia (primeira da imagem). De seguida segui-mos para o local do convento. Este pertenceu aos Trinitários, fundado em 1475, no século XV, por Santo Antão, do qual só restam alguns vestígios, conservando-se apenas a casa dos teólogos. Ali existe um profundo poço redondo, que tem uma mina e uma saída com escadario. Junto dali encontra-se um enorme moinho de vento, donde se consegue também ter uma vista panorâmica de outra parte da aldeia (segunda da imagem). Tendo o meu colega de se ausentar, continuei sozinho na descoberta. Desloquei-me então até ao moinho e dali pude ver que havia um outro e segui até esse outro moinho, passando por uma calçada em pedra.
O azul do céu com o branco do rasto dos aviões criava um cenário magnífico. Desloquei-me até a mãe de água de construção recente, de uma altura bastante significativa, pois dali é distribuída a água para toda a população. De seguida desci a rua, até chegar à Escola Primária, hoje fechada como tantas outras, pois os meninos da aldeia passaram a frequentar a escola em Torre de Moncorvo. Depois desloquei-me até à capela de St.º António (primeira da imagem) tendo esta um espaço à frente rodeado em grandes de ferro e no interior deste espaço um suporte pra acender as velas. De seguida desloquei-me até ao Largo do Rossio, onde se encontra um nicho com a imagem de S. Lourenço  e logo em  frente ao jardim,  um Cruzeiro com a imagem de Cristo crucificado. Depois subi a rua, passando por algumas casas antigas em granito, o que me chama sempre a atenção, até chegar a casa do meu colega e amigo Jaime, tendo já ele preparado o almoço para os dois (um óptimo cozinheiro o Jaime, parabéns Jaime!).
Depois do almoço e um dedo de conversa, eram já 13:00 horas, quando me despeço dele para regressar ao carro ao pé da Igreja e posteriormente a casa. Deixei então a Lousa, eram já 13:55 horas. Foi sem dúvida um magnífico passeio, cheio de descobertas e que será para repetir, pois a Lousa ainda tem muito mais para descobrir.

Poderá consultar também o site da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo, para aceder a informações, sobre a Lousa e outras freguesias do concelho clicando em: http://www.torredemoncorvo.pt/autarquia

5 comentários:

mario disse...

Obrigado pelo o belo trabalho que estás a fazer o nordeste transmontano precisa de pessoas como tu... continua força..Um bem haja

abilio disse...

Amigo andava a vaguear na net e dei com o seu cantinho onde vi que foi visitar minha terra bem haja pelo lindo trabalho que fez ,dou-lhe os meus parabéns lindo trabalho continue um abraço

JORGE DELFIM disse...

Obrigado pelos elogios. É um prazer partilhar com todos voçês estas maravilhas que o Nordeste Transmontano nos oferece.

Abraço

Jorge Delfim

Jorge disse...

Parabéns pelo blogue. A minha família é da Lousa (o Alberto é meu primo) e mesmo longe (Seattle, EUA)é fantástico conseguir matar saudades desta maneira. Por favor continue a divulgar Trás os Montes.

manuelaraujo disse...

Gostei muito da reportagem feita sobre Lousa muito obrigado pelo trabalhoe por ter partilhado com todos