quarta-feira, 15 de abril de 2009

A Lenda da "Ponte do Diabo"

Num dos comentários à mensagem “ Linha do Tua (Abreiro - Cachão)", fala-se na Ponte do Diabo. Já tinha colocado uma fotografia da mesma num dos postais postados na mensagem “Linha do Tua (Codeçais-Abreiro-Codeçais". Para quem não sabe nada da "Ponte do Diabo", aqui fica uma pequena explicação:

Quem se desloca pela Linha do Tua, de Abreiro em direcção ao Cachão, a seguir à Estação de Abreiro avista as ruínas da antiga ponte. Diz-se que de construção, era muito bela e ficava situada num abismo. Mas, a grande cheia de 1909, devido à grande quantidade de árvores que as águas do Rio Tua traziam, fizeram-na ruir e, nunca mais foi reconstruída.”Diz a Lenda que a Ponte foi construída de noite pelo Diabo, que prometeu também fazer uma Estrada da Ponte à Povoação, a troco da alma que uma Moça lhe entregaria para mais comodamente passar o Rio, a fim de ir buscar água a uma Fonte, sita na margem esquerda. Segundo as cláusulas do contrato, o Diabo daria a Ponte construída numa só noite, antes de cantar o Galo. Quando mais afanosa trabalhava uma Legião de Demónios, carreando, aparelhando e assentando pedras, cantou o Galo.
Que Galo é?
Perguntou o Rei das Trevas infernais.
Galo Branco, responderam-lhe.
Ande o canto! Ordenou ele. A breve espaço novo Có-Cró-Có se ouviu. Que Galo é? Tornou o mesmo.
Galo Preto.
Pico quedo!!! Vociferou ele. Falta apenas uma pedra por assentar nas guardas da Ponte e assim ficou, pois, por mais vezes que os Homens a tenham lá colocado, aparece derrubada no Rio na noite seguinte".

A nova Ponte sobre o Rio Tua, que agora existe, foi inaugurada em 11 de Setembro de 1941. É de uma altura estrondosa, donde se pode ver a Estação de Abreiro e a bela paisagem do Rio Tua.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Linha do Tua (Abreiro - Cachão)

Dia 11 de Abril, foi dia de mais uma caminhada na Linha do Tua, desta vez de Abreiro até ao Cachão, onde percorri 12,60 quilómetros, em seis horas.Saí de casa em direcção ao Cachão, onde cheguei às 9:30 horas, esperando pelo táxi que ia para o tua, o qual ali chegou quando faltavam 10 minutos para as dez da manhã, era o Sr. Fernando que já conhecia da caminhada que fiz do S. Lurenço à Foz Tua.
Esperamos ali até que chegasse o metro que vinha de Mirandela. Assim que chegou o metro dirigi-me ao maquinista para tirar o bilhete até Abreiro.
Como já acontecera da outra vez que apanhara o táxi do Tua até ao Pombal, eu era o único passageiro. Depois de um dedo de conversa durante a viagem com o Sr. Fernando (taxista), chegamos então a Abreiro eram 10:20 horas. O táxi seguiu para o Tua e eu ali fiquei na ponte de Abreiro para mais uma aventura na Linha do Tua.
Depois de umas fotografias e filmagens de cima da ponte desci até à Estação para dar assim início a mais uma caminhada.
O dia estava óptimo, favorável à fotografia, umas poucas de nuvens entre o céu azul, o que torna as fotografias magníficas, quando fotografamos as águas do rio reflectindo-se nelas as nuvens brancas.
A linha estava linda, rodeada de flores, o que caracteriza bem a Estação do Ano em que estamos. A Primavera é linda!
Ao quilometro 31, deparei com uns enormes rochedos, reflectindo-se nas águas do rio, magníficas esculturas naturais, feitas pelas correntes das águas.
Mais à frente avistei uma pessoa pensando que era alguém que também andasse a fotografar a linha, mas ao chegar mais próximo, vi que se tratava de um pastor com um rebanho de cabras. Andavam estas a pastar ao longo da linha, pois a erva verdejante junta à linha é propicia. Deixou de circular o metro na linha, mas não deixa de haver quem por ela caminhe. Não deu para saber donde era este rebanho, pois quando me cruzei com o pastor, este estava ao telemóvel e apenas demos as boas horas, mas penso que seria da Ribeirinha, pois não estava assim tão longe.
Continuando a caminhada, um pouco antes de chegar ao quilometro 33, deixo a linha e dirijo-me para o rio para fazer umas fotografias do rio, seguindo por este até bem perto da Ribeirinha.
Volto então à linha, estava já eu a chegar à Ribeirinha. Quando cheguei à Estação da Ribeirinha, lá estava o Sr.º Abílio sentado, a ouvir rádio e a ler jornal. Ali parei e conversámos um pouco, vindo eu a saber que a esposa do Sr.º Abílio, era da terra da minha esposa, de Codeçais. Como o Mundo é pequeno! Depois de uma conversa a três, despeço-me destas amáveis pessoas e continuo a minha aventura.
Depois de deixar a Estação da Ribeirinha, desço até a margem do rio, para filmar e fazer umas fotografias à açude que ali se encontra.
Subo novamente à linha e sinto barulho do outro lado da margem do rio, nisto vejo vir alguém rio abaixo de canoa, como estava um pouco desviado do rio não deu para fotografar, apenas filmei, uma vez que o zoom da câmara de filmar atinge maior distância.
Esperei mais um pouco a ver se vinham mais e nada, já estava bem desviado do rio quando sinto falar, eram mais três, desço então até ao rio, dando ainda para fazer uma foto. Como também ainda não tinha comido parei por ali a ver se vinham mais e para comer alguma coisa.
Não vieram, mas ali fiz umas fotografias magníficas, onde as nuvens se reflectiam nas águas do rio.
Deixei o rio e voltei à linha, mas quando já estava perto do Vilarinho, regressei novamente ao rio, voltando a fazer mais umas fotografias com as nuvens reflectidas no rio.
Passando por algumas hortas, regressei à linha chegando assim à Estação do Vilarinho. Logo a seguir encontra-se a ponte que faz ligação ao outro lado do rio.
Depois de uma paragem na ponte para umas fotos, sigo em direcção ao Cachão, pois já não havia mais nenhuma estação ou apeadeiro até lá.Um pouco mais a frente deparo com uns enormes rochedos do outro lado do rio, sem dúvida, belo de se ver!
Já bem perto do Cachão encontrei algumas papoilas, entre as quais havia uma branca, fiquei impressionado, pois nunca tinha visto uma papoila branca.
Já avistava o Complexo do Cachão, estava a aproximar-me do fim de mais uma etapa. Ao passar junto ao Complexo do Cachão o cheiro não era nada agradável.
Depois de passar a ponte metálica ali estava eu junto à Estação, eram 16:50 horas.
Completei assim mais uma etapa, cheia de emoções e paisagens magníficas que a linha e o rio proporcionam.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Sepulcro Medieval em Sampaio

Este Sepulcro medieval, encontra-se em Sampaio, freguesia do Concelho de Vila Flor.
Quando o vi pela primeira vez, era eu ainda criança, encontrava-se no Largo da Fonte, junto à fonte que ali existia, vindo a ser tapada mais tarde, servia então de bebedouro para os animais. Neste momento encontra-se dentro do adro da Igreja Matriz (Igreja de Santo André).
É pena que se encontre tão mal prezado, estando alí encostado a uma parede rodeado e cheio de erva, quase esquecido, sem que alguém lhe de importância. Era pois de estar protegido e bem tratado, uma vez que faz parte do património cultural da aldeia.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Pombais (Voaram e não voltaram, mas Porquê?!)

No Nordeste Transmontano concentra-se um dos núcleos mais representativos de pombais, embora existam alguns dispersos um pouco por todo o país.
Percorrendo os concelhos de Vila Flor e Torre de Moncorvo, encontra-se um grande número de pombais, pena a maior parte deles estarem em constante abandono e completa degradação.
A maioria dos pombais tem planta circular ou em ferradura, sugerindo formas arquitectónicas castrejas. As paredes são em alvenaria de pedra miúda, terra argilosa como ligante e reboco de argamassa de cal. A cobertura e de madeira apoiadas nas respectivas paredes. O acesso dos donos ao interior dos pombais faz-se por uma pequena porta de madeira. No telhado existem plataformas de entrada e saída dos pombos – saídas de voo.

Eram destinados à produção de pombos para alimentação humana e de estrume denominado por “pombinho” que era usado como fertilizante agrícola.
A partir da década de 60, a população rural emigrou, levando ao abandono de muitas práticas agrícolas tradicionais, nomeadamente o cultivo de cerais. Os agricultores progressivamente modernizaram as suas explorações, mecanizando-as, reduzindo a mão-de-obra recorrendo a agro-químicos inorgânicos importados. Face a essas mudanças drásticas os pombais viram desaparecer quase por completo a sua utilidade no contexto da economia rural. Dada a redução do cultivo cereais e pela introdução de novas práticas e técnicas culturais, tal como o fluxo demográfico humano para os meios urbanos, os pombos, perante a falta de alimento e protecção dos montes e vales, desapareceram.
Outra causa do abandono generalizado dos pombais, foi a expansão verificada na actividade cinegética após os anos 70. O grande número de caçadores, desconhecedores das tradições locais e não cumpridores da legislação da caça, levou ao abate fácil de milhares de pombos.
Assim grande quantidade de pombais tradicionais deixaram de estar povoados, deixaram de ser tratados e houve proprietários que nunca mais voltaram aos pombais. Muitos entraram em degradação pois apesar das paredes rudes e de construção sólida, estes têm no telhado o seu ponto fraco dado que a cobertura em madeira não resiste à intempérie sem os devidos cuidados.
A partir anos 90, algumas entidades responsáveis pela preservação deste tipo de património promoveram medidas de estudo e conservação. O Instituto da Conservação da Natureza, através do Parque Natural do Douro Internacional (PNDI), iniciou um projecto pioneiro de recuperação de pombais. Foram assim recuperados entre 1997 e 1998 os primeiros 25 pombais.
Mas apesar de algumas entidades responsáveis promoverem medidas de estudo e conservação, ainda há muitos pombais em ruínas, em constante abandono à espera de serem recuperados.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Zedes é Notícia

A Aldeia de Zedes, freguesia do concelho de Carrazeda de Ansiães, foi notícia no Jornal Nordeste na publicação de 31-03-2009, referenciando a Anta de Zedes ou Casa da Moura, bem como o Solar da Casa Barbosa.
Quem passa por Zedes, como diz Sandra Canteiro no Jornal Nordeste, a Anta é a primeira paragem obrigatória, encontrando-se a uns 100 metros desviada da estrada, um pouco antes de chegar aldeia, não passando por despercebida, uma vez que tem uma placa à beira da estrada a indicar a sua localização.
Além da Anta, Zedes, tem um património rico em antiguidades, destacando-se as capelas antigas da aldeia, bem como o Solar Brasonado da Casa Barbosa, encontrando-se em abandono, o que acontece com muitos por este Nordeste Transmontano, o que é uma pena! Esteve em destaque nesta notícia a Anta megalítica de Zedes ou Casa da Moura, havendo também destaque para o Solar Brasonado da Casa Barbosa.
Notícia extraída do Jornal Nordeste por Sandra Canteiro:

Zedes e a Casa da Moura O aspecto renovado e limpo das ruas da freguesia funde-se com a sua antiguidade e origem remota. Rumo a Zedes, a seis quilómetros de Carrazeda de Ansiães, a Anta, baptizada com o nome da freguesia, é a primeira paragem obrigatória para quem pretende perder-se entre maravilhas arqueológicas e patrimoniais da região.Conhecida, também, como a Casa da Moura, conta-se que terá sido uma moura a trazer, à cabeça, a pedra que cobre as outras, enquanto carregava o seu filho às costas e enrolava um novelo de lã. Com origem, ao que se supõe, entre o final do Neolítico e a Idade do Bronze, a anta é um monumento megalítico funerário, construído para prestar culto aos mortos. Integra oito esteios inclinados de formas diferentes e tampa, formando uma câmara poligonal. No seu interior, é possível descobrir vestígios de pintura mural que retratam, possivelmente, figuras humanas e de animais. É possível ver, ainda, um báculo sobre um conjunto de linhas onduladas, bem como duas representações antropomórficas, fossetes e sulcos num dos esteios. Segundo alguns estudos, a Casa da Moura estaria relacionada com um habitat, do qual foram descobertos, em escavações efectuadas, fragmentos de peças de cerâmica e um instrumento cortante de sílex. Entrando na localidade, as ruas ordenadas conduzem ao largo da Igreja matriz, do século XVIII, onde se ergue, também, o solar brasonado da Casa Barbosa, bem como a sua capela datada de 1873. “Era uma das famílias mais importantes da região, que empregava e ajudou muitas pessoas da aldeia”, explicou o presidente da Junta de Freguesia de Zedes, António Lopes.
Freguesia é povoada desde a pré-história e conta, actualmente, com 170 habitantesOs turistas podem, ainda, visitar as capelas de Santa Margarida e a de São Roque do século XVII ou passar os olhos pelas diversas casas tradicionais em granito, com varandas de ferro forjado ou de madeira. “Antes vinham pessoas de todo o País para visitar Zedes, mas agora o turismo diminuiu bastante”, lamenta o autarca. Povoada desde a pré-história, como comprova a presença da Anta na localidade, a própria toponímia de Zedes é anterior à nacionalidade. O nome da localidade deverá derivar do nome árabe de Zeide, Zaida ou Zeida, que era a filha de um rei mouro de Sevilha (Espanha).Após converter-se ao cristianismo e ser baptizada com o nome de Maria, a princesa casa com Afonso XI de Castela."
Zedes, além dos monumentos antigos, também nos delícia com uma paisagem natural magnífica, como se pode ver nas figuras abaixo.